quarta-feira, 3 de julho de 2013

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"Você parece espantado", disse ele, sorrindo diante de minha expressão de surpresa. "Agora que sei disso, farei o possível para esquecer."
"Esquecer!"
"Entenda", explicou ele, "considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos de encher com os móveis que escolhemos. Um tolo recolhe todo tipo de trastes com que depara, de modo que o conhecimento que lhe poderia ser útil fica atravancado, ou na melhor das hipóteses misturado com muitas outras coisas, de modo que ele tem dificuldade em localizá-lo. O trabalhador competente, porém, é muito cuidadoso com relação ao que leva para seu cérebro-sótão. Não guardará nada lá a não ser as ferramentas que possam ajudá-lo em seu trabalho, mas dessas tem grande sortimento, e todas na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o quartinho tem paredes elásticas e pode se expandir até qualquer medida. Acredite que chega uma hora em que, para cada novo conhecimento, você esquece alguma coisa que sabia antes. É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis expulsando os úteis."
"Mas o Sistema Solar!" protestei.
"Que significa ele para mim?" interrompeu ele, impaciente. "Você diz que giramos em torno do Sol. Se girássemos em torno da Lua isso não faria diferença para mim ou para o meu trabalho."

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